outubro 24, 2011

De mãos atadas



Não sou poeta desse mundo individualista
Também não cantarei o futuro incerto
Estou preso à vida e olho meus comparsas
Estão sob a égide da hipocrisia social, por isso, perdi as esperanças!
Entre eles, considere a enorme disparidade e ganância.
O presente é tão escasso, por isso nos afastemos!
De mãos atadas!
 
Não serei o cantor de versos, pelo contrário! 
Cantarei a incerteza do amanhã
Não direi suspiros ao anoitecer...
Deixei tudo isso para os românticos!

Tentei, lutei, perdi!
A cada passo, cada intento percebo que estamos de mãos atadas...

Quem é por nós?
Quem desatará os laços forjados que nos aprisionam?
Caminhando a esmo...

De mãos atadas!





outubro 12, 2011

Carta de um portador de Alzheimer ao seu criador



   Lembre-se de que sou uma pessoa consciente, portadora de uma doença que compromete minha memória, minha linguagem e meu raciocínio. Por isso, ajude-me a aceitar a demência sem revolta e infelicidade. Não perca a paciência se eu pedir a mesma coisa por mais de uma vez. É a única maneira que tenho de dizer que eu não lembro o que falei antes.
    Eu não sou deliberadamente teimoso, mau, ingrato ou desconfiado. A deterioração do meu cérebro faz com que eu me comporte diferente do que eu gostaria. Se eu tivesse um braço quebrado, você com certeza não ficaria irritado comigo por estar impossibilitado de fazer certas coisas, não é mesmo? Mas eu tenho um cérebro que está a cada dia se deteriorando. Então, não me culpe pelos efeitos que a Doença de Alzheimer tem em minha habilidade de executar certas tarefas.
    Eu não esqueço a finalidade de magoar, irritar, embaraçar ou confundir. A doença me faz confuso e desorientado. Nove de dez vezes você está certo em me lembrar de algo, vá em frente; por mais que eu demonstre constrangimento ou me aborreça. Eu sei que preciso que me lembrem de tudo. Tenha senso de humor; ajuda a aliviar a carga dos meus problemas, os quais, eu sei, muito sobrecarregam você; ajude-me a rir dos percalços da minha doença para diminuir nossas frustrações conjuntas. Não tire todas as responsabilidades de mim. Eu estou vivo e quero estar incluído na sua vida e nas decisões que têm de ser tomadas.
    Não pense que estou insensível à sua vida. Sinto dificuldade de verbalizar o que penso, concentrar-me no que gostaria. Não desista de mim. Me estimule sempre. Não solucione todos os meus obstáculos. Isto somente me faz perder os respeito por mim mesmo e por você.
    Não me repreenda ou discuta comigo. Isso pode fazer você se sentir melhor, mas só piora as coisas para mim; eu me reprimo mais e me afasto mais das pessoas com receio de errar sempre.
    Não tenha vergonha de mim, não me esconda em casa. Leve-me para passear, ver o sol nascer, o entardecer, o eclipse, o jardim florido, as crianças na praça... eu posso até não entender o que estou fazendo nos lugares, mas com certeza SINTO: sinto as vibrações, a alegria, a harmonia. Com certeza eu vejo a beleza do mundo que me cerca. Olhe-me nos olhos quando for falar comigo. Transmita-me paz e serenidade.
     Não fale de mim como seu eu não estivesse ali. Mantenha minha dignidade. Não zombe de mim quando eu fizer minhas confissões; quando eu confundir os nomes dos filhos, do cônjuge, dos netos, o local onde estou, quando eu me perder dentro de minha própria casa. Lembre-se que eu preciso de ajuda e compreensão. Por isso, conheça a doença para poder entender o que eu passo e sinto.
     Não me deixe sem amor e carinho. Eu sempre vou sentir conforto e segurança quando você me beijar ou me acariciar. Você poderá se sentir sozinho quando a doença avançar, mas saiba que não foi minha escolha ter demência. Por isso não me abandone. A natureza da minha doença me faz mudar de personalidade; assim sendo, posso tornar-me uma pessoa vil e indigna.
     Quando estivermos reunidos e sem querer faça minhas necessidades fisiológicas, não fique com vergonha e compreenda que não tive culpa, pois já não posso controlá-las. Não me reprima quando não quero tomar banho; não me chame a atenção por isto. Quando minhas pernas falharem para andar, dê-me sua mão terna para me apoiar. Não tenha vergonha, nem preconceito de mim. Afinal, eu não escolhi ter Alzheimer.
    Não fuja da realidade: eu tenho uma doença maligna. Troque de papel comigo, para poder entender que o que eu sinto é tão ou mais frustrante do que você sente. Troque
de lugar comigo e conheça as minhas aflições por esquecer minha história de vida e perder minha própria identidade. Não chore por mim... nem se deprima por ter que conviver com um demente. Nós não escolhemos a demência. Tenha fé. Eu choro sozinho por saber que estou limitado e por eu ser fevorosamente (veemente) apegado em minha vida. Seja você saudável. Basta eu de doente.
    Não se sinta triste, enjoado ou impotente por me ver assim. Dê-me em seu coração, compreenda-me e me apóie. Por último, quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer, estiver em fase terminal e vegetal, não se enfades. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei.

Autor Desconhecido

Livro: Doença de Alzheimer: um olhar sob o enfoque multidisciplinar - Márcia Carréra e Érica Lyra

outubro 08, 2011

Beija-flor


BEIJA, FLOR,
BEIJA-FLOR,
BEIJA A FLOR,
BEIJA FLOR, BEIJA...
FLOR, BEIJA...

UM BEIJA-FLOR SE APOSSOU DO MEU JARDIM
UM BEIJA-FLOR ILUMINOU MEU DIA, COR
UM DIA UM BEIJA-FLOR SOBREVOOU
O JARDIM DO MEU AMOR

Hugo Otávio D. M. Gomes

outubro 02, 2011

A beleza do teu olhar

Para minha Rosa Azul...

Eu te desenhava no meu coração 
Todos os dias pensava em você
Mesmo sem saber teu nome eu lhe chamei
Até que a encontrei e algo em mim mudou
 
Como um filme no meu cine-coração
Você estava lá, tão linda em cartaz
Num romance escrito no altar de Deus
Princesa, eu e você na tela do amor 
E nos braços da vida

Você é meu cais 
É parte de mim no jardim do meu ser
Minha rosa é você 
Eu sou seu herói, do filme de nós
Eu só sei que te amo 
Isso é tudo (amor)... 

Seu carinho é perfume e me refaz
Na força desse amor que só você me traz
O meu sol é tão intenso com você
Na imensidão azul que vem do seu olhar 
E Nos braços da vida 

Você é meu cais 
É parte de mim no jardim do meu ser
Minha rosa é você 
Eu sou seu herói, do filme de nós
Eu só sei que te amo 
Isso é tudo (amor)...

Com você vou sentir o sol iluminar a paixão
Aquecer o amor quando o inverno chegar
Viajar na beleza do seu olhar
Nas estrelas no céu tocar 
Só nos dois, eu e você...

Você é meu cais 
É parte de mim no jardim do meu ser
Minha rosa é você 
Eu sou seu herói, do filme de nós
Eu só sei que te amo 
Isso é tudo (amor)...

setembro 29, 2011

Goodbye - Air Supply

Goodbye

I can see the pain living in your eyes
And I know how hard you try
You deserve to have so much more
I can feel your heart and I sympathize
And I'll never criticize
All you've ever meant to my life


I don't want to let you down
I don't want to lead you on
I don't want to hold you back
From where you might belong


You would never ask me why
My heart is so disguised
I just can't live a lie anymore
I would rather hurt myself
Than to ever make you cry
There's nothing left to say but goodbye


You deserve the chance at the kind of love
I'm not sure I'm worthy of
Losing you is painful to me


I don't want to let you down
I don't want to lead you on
I don't want to hold you back
From where you might belong


You would never ask me why
My heart is so disguised
I just can't live a lie anymore
I would rather hurt myself
Than to ever make you cry
There's nothing left to say, but goodbye


You would never ask me why
My heart is so disguised
I just can't live a lie anymore
I would rather hurt myself
Than to ever make you cry
There's nothing left to try
Though it's gonna hurt us both
There's no other way than to say goodbye

Adeus

Eu consigo ver a dor vivendo nos seus olhos,
E eu sei o quão duramente você tenta.
Você merece ter muito mais
Eu consigo sentir seu coração e me compadeço,
E nunca criticarei
Tudo que você algum dia significou para minha vida


Eu não quero te desapontar,
Eu não quero te iludir,
Eu não quero te manter afastada
De onde você talvez pertença


Você nunca me perguntaria porquê
Meu coração é tão dissimulado.
Eu simplemente não posso mais viver uma mentira
Eu preferiria magoar a mim mesmo
Do que algum dia te fazer chorar
Não sobrou nada para dizer, exceto adeus


Você merece a chance em um agradável amor
Eu não tenho certeza de que sou digno.
Perder você é doloroso pra mim


Eu não quero te desapontar,
Eu não quero te iludir,
Eu não quero te manter afastada
De onde você talvez pertença


Você nunca me perguntaria porquê
Meu coração é tão dissimulado.
Eu simplemente não posso mais viver uma mentira
Eu preferiria magoar a mim mesmo
Do que algum dia te fazer chorar
Não sobrou nada para dizer, exceto adeus


Você nunca me perguntaria porquê
Meu coração é tão dissimulado.
Eu simplemente não posso mais viver uma mentira
Eu preferiria magoar a mim mesmo
Do que algum dia te fazer chorar.
Não sobrou nada para tentar,
Embora isso vá magoar a ambos,
Não existe outro meio a não ser dizer adeus

setembro 25, 2011

Consolo na praia




Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.


Carlos Drummond de Andrade

setembro 23, 2011

[FILME] Um golpe do destino - The doctor




Jack McKee é um médico altamente bem sucedido, rico e, teoricamente, sem problemas na vida. Um daqueles protótipos de poder e conhecimento esbanjado! No entanto, essa história muda quando ele começa a sentir um "pigarro" em sua garganta, a qual, começa a incomodá-lo, o que o faz procurar ajuda. Apesar da resistência e de múltiplos exames, Dr. Jack recebe o diagnóstico de que está com câncer de garganta. Agora ele passa ver a Medicina, os hospitais e os médicos sob uma perspectiva como paciente, percebendo as dificuldades, o modo de tratamento e o real atendimento médico sobre o ser humano.

É um filme que vale a pena ser visto, principalmente para aqueles da área. Revela o quanto a doença pode humanizar o ser humano, quando este é prepotente, e "invencível". Além disso, nos mostra o quanto devemos valorizar as pequenas coisas, os momentos mais simples e as pessoas que estão ao nosso redor, já que elas não são eternas...

O que mantém um ser humano de pé?
Quanto vale um ser humano perante sua doença, Doutor?
Confiram no filme!

Hugo Otávio